terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ENTENDA O QUE ACONTECEU-Começa o 2° dia de julgamento do assassino de Décio Sá

04/02/2014 09h37 - Atualizado em 04/02/2014 09h38

Começa o 2° dia de julgamento do 






assassino de Décio Sá



Motorista que teria dado fuga ao pistoleiro também é julgado.
Júri começou na segunda (3) e pode entrar pela madrugada de quarta (5).

Clarissa CarramiloDo G1 MA
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‘Vamos pedir pena máxima’, diz MP sobre acusados do Caso Décio Sá (Foto: Biné Morais/O Estado)‘Vamos pedir pena máxima’, diz MP sobre acusados do Caso Décio Sá (Foto: Biné Morais/O Estado)

O segundo dia do julgamento do assassino do jornalista Décio Sá e do motorista acusado de dar fuga ao pistoleiro, Jhonathan de Sousa Silva e Marcos Bruno Silva, respectivamente, começou por volta de 8h desta terça-feira (4), no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís. O júri, segundo o juiz Osmar Gomes, pode se estender pela madrugada de quarta-feira (5). "Hoje, até meia-noite, se for o caso, pretendo encerrar. Tenho certeza de que até 13h concluíremos a primeira parte, com os três testemunhos de defesa e o interrogatório dos réus. Às 14h, iniciaremos o debate, para acusação, réplica e tréplica", explicou o juiz Osmar Gomes minutos antes do início do julgamento.
Jhonathan é assassino confesso, mas Marcos Bruno nega participação no crime. Quatro homens e três mulheres com idade entre 35 e 60 anos, todos funcionários públicos, foram selecionados para julgar os acusados. O juiz titular da 1ª Vara do Tribunal de Júri de São Luís, Osmar Gomes, conduz o julgamento e será responsável apenas pela dosimetria das penas em caso de condenação, ficando a decisão pela absolvição ou não dos réus a encargo dos jurados
Sete das 11 testemunhas arroladas no total prestaram depoimento no primeiro dia. Pela manhã, foi interrogada a irmã de criação de Marcos Bruno, que não foi obrigada a fazer juramento e falou apenas como informante, já que ela também é esposa de Shirliano de Oliveira, o Balão, acusado de auxiliar o assassino a planejar o crime. Também prestaram depoimento dois integrantes de um grupo evangélico que fazia culto em uma duna na Praia de São Marcos, na noite do crime. Eles disseram ter visto o assassino fugindo pelo local.O promotor Luís Carlos Duarte, que esteve à frente do processo desde o início, foi substituído pelos promotores Benedito de Jesus Nascimento Neto, Haroldo Paiva de Brito e Rodolfo Soares dos Reis no julgamento. De acordo o Ministério Público do Maranhão, a mudança aconteceu porque a data do júri coincidiu com o período de férias do promotor. Já a defesa dos réus é feita pelos advogados Pedro Jarbas e José Berilo.

À tarde, um vigilante e um garçom do bar onde Décio Sá foi morto também prestaram depoimento. Todos mantiveram suas versões sobre reconhecer Jhonathan Silva, mas nenhum soube informar se era mesmo Marcos Bruno quem conduzia a motocicleta que deu fuga ao pistoleiro, já que o motorista estava de capacete.

Fase de instrução
Nos meses de maio e junho do ano passado, após as audiências da fase de instrução, ficou decidido que 11 dos 12 acusados do assassinato do jornalista serão levados a júri popular. Jhonathan Silva está preso em um presídio federal de segurança máxima em Campo Grande, MS, é assassino confesso do jornalista. Já Marcos Bruno, que está preso em São Luís, é acusado de ter pilotado a motocicleta que deu fuga ao pistoleiro, mas nega o crime.

Também serão julgados por representantes da sociedade civil Shirliano de Oliveira (foragido), o Balão, acusado de auxiliar o assassino; José Raimundo Sales Chaves júnior, o Júnior Bolinha (preso no Centro de Triagem do Complexo Penitenciário de Pedrinhas), acusado de intermediar a contratação do pistoleiro; os policiais Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros (em liberdade), acusados de participar de reuniões para tratar do assassinato de Décio Sá e do empresário Fábio Brasil; Elker Farias Veloso, acusado de auxiliar o assassino e a quadrilha tanto no assassino de Décio Sá quanto no de Fábio Brasil (preso em um presídio estadual em Contagem, MG); o capitão da PM, Fábio Aurélio Saraiva Silva, o Fábio Capita (em liberdade), acusado de fornecer a arma do crime; Fábio Aurélio do Lago e Silva, o Bochecha (em liberdade), acusado de hospedar o assassino após o crime; e os empresários Gláucio Alencar Pontes Carvalho e José de Alencar Miranda Carvalho, pai de Gláucio (presos no Comando Geral  da Polícia Militar), acusados de mandar matar Décio Sá.
O advogado Ronaldo Ribeiro, que trabalhava para os mandantes Gláucio Alencar e José Miranda, foi excluído do júri por falta de provas. No entanto, o promotor Haroldo de Brito disse, na segunda-feira (3), que a polícia e o Ministério Público já possuem provas contra o acusado e devem indiciá-lo.
Noite do crime
Décio Sá foi assassinado com seis tiros por volta de 23h de segunda-feira, 23 de abril de 2012, quando estava em um bar na Avenida Litorânea, na orla marítima de São Luís - um dos principais pontos de turismo e lazer da capital maranhense.
O jornalista, que era repórter da editoria de política do jornal O Estado do Maranhão há 17 anos, também publicava conteúdo independente por meio do Blog do Décio, um dos blogs mais acessados do estado na época.

Segundo o inquérito policial, Décio Sá deixou a redação por volta de 22h, pegou o carro e foi até o bar, onde teria pedido uma bebida e uma porção de caranguejo. Ele estava à espera de dois amigos e falava ao celular quando foi surpreendido pelo pistoleiro Jhonathan de Sousa Silva, que o atingiu com cinco tiros, três no tórax e dois na cabeça.

De acordo com informações da polícia, o jornalista foi morto porque teria publicado, no Blog do Décio, reportagem sobre o assassinato do empresário Fábio Brasil, o Júnior Foca, envolvido em uma trama de pistolagem com os integrantes de uma quadrilha encabeçada por Glaucio Alencar e José Miranda, suspeitos de praticar agiotagem junto a mais de 40 prefeituras no estado. Ele tinha 42 anos, era casado e tinha uma filha. Sua esposa, Silvana Sá, estava grávida quando o marido foi assassinado.

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